Detergente para a roupa ecológico – introdução

Olá!

O detergente para a roupa estava a chegar ao fim e, no fim-de-semana passado, pús na agenda fazer um novo lote. Dura-me uns meses.

Há mais de um ano que uso esta receita e, como tenho bastante matéria-prima em casa, é fácil de fazer, barata e gosto dos resultados, ainda não experimentei outras versões.

Sei que existem muitas outras – com sabão em barra ralado, como faz um amigo meu, por exemplo – e até já comprei em segunda-mão (por 5,00€!) uma varinha mágica só para poder triturar misturas líquidas de sabão sem que a sopa passe a saber a rosas (amigos, amigos, negócios à parte!) – mas, como o meu tempo livre é bastante limitado, acabo por ir fazendo a receita de sempre, para já.

Mas, antes disso, creio dever preparar mentalmente a generalidade de vós.

Caso queiram começar a aventurar-se nesta mudança ecológica deverão, antes de tudo, esquecer LITERALMENTE toda a vossa experiência passada com detergentes. Falo da textura, cor, espuma e cheiro.

Antigamente, ninguém nos falava do gigantesco impacto dos nossos consumos no equilíbrio do planeta. E formatámo-nos, para bem da indústria, ao que o mercado oferecia. Agora que sabemos, podemos dar-nos conta de várias situações desproporcionadas e desequilibradas. Nomeadamente, a quantidade imensa de embalagens plásticas que se consomem no âmbito da limpeza.

Já com este detergente de que vos vou falar, não precisamos de qualquer embalagem plástica.

Pessoalmente, reutilizo garrafas de vidro (de azeite, de vinagre, de vodka, etc.), ad eternum, para o conter, basta passá-las por água.

O processo de descoberta e “conversão” a que me refiro é gradual; Passará sobretudo por desconstruir duas convicções:

  • Só quando há espuma, há lavagem;
  • Só quando cheira “bem”, a roupa está lavada.

É claro que se a roupa tiver mau cheiro, poderá não estar lavada, de facto; Mas há que perceber a que tipo de cheiro nos referimos.

«Ah, gosto tanto daquele amaciador X, deixa aquele cheirinho tão bom!! E que dura tanto!».

Já me aconteceu passar a MUITOS, muitos metros da roupa acabada de estender de uma vizinha, e, sentir um cheiro intenso a perfume. Aquilo a que tecnicamente chamamos fragância.

Na verdade, no mundo natural, isto não iria acontecer…

O olfato, como sabem, tem o seu mecanismo: pequeníssimas partículas microscópicas libertam-se no ar e o nosso fantástico nariz (uns mais fantásticos que outros, é verdade…), com a ajuda dos seus pelinhos interiores, capta essas partículas e envia de imediato ao cérebro uma “mensagem”; Este faz a sua “leitura” e, em conjunto com a memória, num jogo de fracções de segundos, identifica experiências anteriores que tivémos. Todos sabermos que o nosso modo de “conhecer” a realidade sensível é precisamente através dos sentidos. Assim, o cérebro associa determinado cheiro a uma realidade sensorial que já conhecemos no passado (ou que, pelo menos, se assemelha a uma delas): uma rosa, a maresia, fruta madura, uma banana, a casca de citrinos, a baunilha etc, etc.

É preciso termos consciência, pelo contrário, que todos os cheiros dos produtos industriais são obtidos de forma totalmente sintética, a partir do petróleo e outros seus derivados. Em laboratório, conseguiram-se moléculas que, neste aspecto, são tão semelhantes às naturais que as identificamos como “rosa”, “alfazema” ou outros aromas. Mas, considerem como, na Natureza, os cheiros agradáveis são sempre suaves, não demasiado perduráveis (até porque o nosso nariz se habitua e, passado algum tempo, já não estamos a reconhecê-lo) e até, difíceis de obter.

Pensem numa rosa, na sua suavidade olfativa e comparem com o intenso (intensíssimo) cheiro de certos ambientadores, velas perfumadas, detergentes e amaciadores de roupa. Se estiverem atentos à linguagem da Natureza, verão, aos poucos, que em nada se parecem. Estes últimos entram literalmente “pelas narinas adentro”, invadem-nos. Logo nos apercebemos que não são, de todo, naturais.

Espero não vos cansar com esta introdução mas, é necessária.

Da espuma, falaremos no próximo post.

Para quem não conhece as nozes, vamos já apresentá-las:

Trata-se de um fruto – uma baga, na verdade – da família das lichias e que toma o nome botânico de sapindus mukorossis. Tem o tamanho aproximado de um berlinde abafador (2 a 3 cm de diâmetro) (introduzir foto 1) e crescem numa árvore, nativas da Índia.

As “nozes” contêm uma substância chamada saponina, um detergente totalmente natural. Foram usadas para lavar durante milhares de anos, por culturas antigas.

Este o meu último lote produzido – e etiquetado pois, já não caio mais na esparrela:

Havendo espaço, gosto de guardar o detergente no frigorífico pois, sempre é um “sumo de fruta”, na verdade (ou melhor, um chá de fruta 🙂) e, não vá eu enganar-me!

No próximo episódio, a receita. Até lá, boa semana!

1 Comment

  1. tenho de experimentar.