À descoberta da ilha esmeralda

Já longe vão as férias, é verdade; Parece uma imensidão de tempo passado.

Ainda assim, gostariam de dar um saltinho comigo à Ilha Esmeralda?

Tive a sorte de poder viajar, este Verão, para um país estrangeiro; finalmente, concretizámos um sonho de há vários anos e fui com os meus pais à Irlanda.

Haveria muito para contar mas, aqui cabem apenas algumas notas e fotografias – para deixar a água na boca aos que apreciam mais, como eu, um país verde, rural, tradicional, do que uma grande cidade como Nova Iorque ou uma praia paradisíaca.

Apesar de só termos conhecido metade do país, territorialmente, podemos brincar assim: imaginem os Açores em ponto grande e, já está!

Mas esta é uma forma redutora de descrever a Irlanda.

Há muito de semelhante, claro – trata-se de uma ilha, também. Mas há muitas outras coisas diferentes…

Tendo por base a matriz comum europeia, a grande afluência turística também me faz lembrar Portugal, no presente.

Pessoalmente, a ruralidade fascina-me; São fascinantes os tempos em que tudo se fazia sem recurso ao plástico, em que não existiam bens industrializados e despersonalizados, em que tudo era feito em casa – certamente, muito mais labour intensive – mas com muita mais mestria, mais engenho humano e arte.

(PS – Já pensaram porque é que tantas marcas de comida industrial se chamam “compotas da avó Rosa”, “biscoitos da tia Alice”, licor “do tio João”, ou têm a indicação de “receita caseira” na etiqueta? (para se manterem na ilusão, só não leiam os ingredientes, ok?)

É preciso voltar a esses tempos se queremos voltar a ser saudáveis. Em todos os sentidos.

A verdade é que a história e a Natureza estão aí a demonstrá-lo: é preciso fazer rewind. Sim, é preciso recuar. Parece um contra senso mas é apenas sinal de inteligência.

Pensem no processo do amianto: primeiro introduzido por todo o lado, agora retirado, com esforço.  E outros exemplos existem. Sim, voltar atrás com o relógio é preciso – quando reconhecemos ter andado depressa demais ou no sentido errado; CORRIGIR o trajecto, mudar o passo. É humano e inteligente. Não é perda de tempo, não é imbecil. É, por vezes, o ÚNICO caminho.

Este processo é hoje evidente com o plástico: decorridas cinco décadas durante as quais enchemos o planeta com uma maré assustadora de descartáveis – a comodidade do “usa e deita fora” que não previu nem multiplicou o fenómeno por quadriliões – acordamos hoje para um cenário devastador.

Creio que, por isto, tanto amo os tempos antigos: estes mostram-nos como era possível fazer TUDO usando apenas matérias e elementos naturais, em plena harmonia com a natureza. Os métodos antigos eram incríveis e podem-nos ensinar muito, ainda hoje – nesta inundação de tecnologia tal em que vivemos, ao ponto de perdemos a conexão com o mundo natural, em muitos casos.

Na Irlanda, a ruralidade, a terra, o verde – que tanto nos descansa interiormente – entra pelos olhos a dentro, é constante.  Há uma humidade tal na ilha que a mantém verde todo o ano!

Estive atenta aos pormenores e, não vi um único sistema de rega, nos jardins. Pois… não é preciso!

E campos de golfe ao lado das vaquinhas a pastar? Sem rega!

Supostamente, chove todos os dias, pelo menos um pouco (açoreanos, reconhecem este cenário?)

Não vos trago fotos dos monumentos, das cidades, dos eventos – que também as tenho.

Antes estas coisas rurais e antigas 🙂

Bilha grande para o leite
Border collie, o cão pastor, de ovelhas, típico irlandês
As ovelhas pintadas, aos milhões, salpicadas pelo território mais pedregoso

 

 

 

 

 

 

Jonathan Livingstone Seagull, versão irlandesa
Cenários naturais I
Cenários naturais II
Cenários naturais III

 

 

 

 

 

 

 

 

A paisagem constante das planícies do país
Um celeiro-cave underground (utilizando a frescura da terra para conservar alimentos)

 

 

 

 

 

 

 

 

Num país que se alimentava basicamente de batatas, o instrumento que não podia faltar 🙂

Uma estufa de vidro com vinha e bananas 🙂
Um combustível especial, ainda usado: uma espécie de turfa recolhida na superfície das montanhas. Não tem qualquer cheiro. serve para cozinhar, aquecer e tudo o que precise de lume. Matéria vegetal decomposta, riquíssima.

 

 

 

 

 

 

 

(PS – para os próximos posts, ficam prometidas inspirações e ideias, que espero começar a concretizar brevemente na Quinta biológica de Abrigada (= o meu quintal :))

Acompanhem a aventura nos próximos tempos, em detalhe!

2 Comment

  1. tb gostava de fazer essa viagem, gostei muito do post.

    1. Obrigada Ramiro! Aconselho vivamente, sim :). Quando for, posso dar algumas dicas que precise 🙂